III PONTO DE GUITARRA - CALIGRAFONIAS

Poesia e guitarra
A proximidade entre a mente e o gesto, entre o gesto e a corda, a corda e o nervo , o nervo e o sentimento, o sentimento e o mundo, trazem todas as guitarras, e seus tampos como almas, à mesa da poesia.
Palavras e gestos, formas poéticas e formas musicais trasmudam-se em mútua escuta.
No meio está a mão que diz pela alma o que as palavras silenciam.
Onde não há cordas, o gesto da mão comunica-se a um carvão e deixa sobre um papel o rasto mudo. Por vezes o rasto e o som evocam-se, de outras, afastam-se e, mesmo com razão comum, desencontram-se nas diferentes fugas.
“Caligrafonia” é a junção do gesto, do traço e do som de uma só mão, quando se encontram—sem nada narrar— quando apenas se celebram ante o resvalar da câmara apontada ao alvitre de artista, escutados pelo acaso de quem passa.

Aurelino Costa declamação
Paulo Bernardino imagens
Olavo Tengner Barros flauta
Paulo Vaz de Carvalho guitarra e desenhos